Apresentação do Coral Guarani - aldeia Yynn Morotim Wherá - Biguaçú/SC

Aqui no Brasil pouco sabemos de nossa verdadeira história. E o que falar de nossa ancestralidade? Achamos que somos continuação de europeus e está ótimo! De certa forma, até somos, pois os brasileiros são uma mistura de muitos povos e raças. Mas ao olharmos nossa cor de pele predominante, os povos africanos e indígenas, de repente se escancaram em nossa árvore ancestral.

Alguns de nós, não tem cor de pele denunciando essa origem, como é meu caso. Sou branca, sardenta...mas quando resolvi puxar a árvore genealógica da família materna e paterna, descobri que na materna, só conheço a origem de um dos bisavós e na paterna, para meu espanto, também chego, apenas, a uma bisavó! E, acreditem, sou uma pessoa que gosto de buscar as linhas dos caminhos percorridos pela minha família!

Assim como descobri que uma das famílias que exalta a tradição italiana; tem sua origem na Inglaterra, também descobri que alguns membros da família tem cabelo e cor de pele afro...mas esta história, quase ninguém fala ou conta. Sem falar naquela parte da família que tem sangue espanhol, provavelmente cigano... mas "vamos ficar quietos", pois aí tem bruxaria!

Amo o povo indígena brasileiro, em especial, o Guarani. É algo que trago comigo. Desde pequena fui ligada no artesanato destas riquíssimas culturas. Primeiro, vivi alguns anos cercada de artesanato andino, por causa de viagens que meu pai fez a trabalho. Logo em seguida, fui morar em Brasília onde pude visitar muitas feiras de arte indígena brasileira.

E a vida foi me levando e eu seguindo...hoje estou aprendendo com a aldeia Yynn Morotim Wherá, localizada em Biguaçu/SC.

Sempre falei que, embora branca e sardenta, descendente de italianos, portugueses, ingleses e espanhóis, eu tinha a alma Guarani. Mas, de repente, me dei conta de que desconheço minha história familiar. Lembrei que na história, de quase toda família brasileira, há um momento em que uma indígena foi roubada, abusada ou amada por europeus que aqui chegavam...assim como aconteceu com as escravas negras. Triste história!

Muitos brasileiros, ainda, fazem de conta que isto não aconteceu e, também, acreditam que indígenas são coitados, vagabundos.

Ainda buscamos, lá fora, sabedorias sagradas, caminhos espirituais magníficos...como se aqui, no Brasil, não houvesse tudo isto, a nossa espera.

Ainda achamos que nossos maiores ancestrais - os indígenas brasileiros, verdadeiros "donos" do terra que habitamos - são atrasados e inferiores. Mas não nos damos conta de que, apenas, desconhecemos a riqueza espiritual absurda que envolve suas vidas 24 horas por dia. Não sabemos quase nada sobre a capacidade artística que trazem por gerações, cuidando disto diariamente, honrando e preservando sua ancestralidade. Não temos ideia do tamanho de sua capacidade harmoniosa, da qualidade respeitosa e da imensa paciência que desenvolvem a cada dia. Sem falar que desde a tal chegada do "descobridor do Brasil", eles lutam e lutam e lutam para sobreviverem e serem respeitados.

Realmente, acredito, que o Brasil e os brasileiros, não irão "andar para frente" enquanto não curarem estas feridas e enquanto não aprenderem, com muita humildade, sobre a riqueza destes povos. É urgente que a gente faça as pazes com nossa verdadeira história, com nossa verdadeira família ancestral. Este país era totalmente habitado quando os europeus aqui chegaram. E os indígenas brasileiros não ficaram no passado. Eles estão aqui! São em torno de 305 etnias e 274 línguas (João Fellet - @joaofelletDa BBC Brasil em Washington ).

Eles estudam, usam celular, vestem roupas e sapatos e não são perfeitos como qualquer ser humano; mas possuem qualidades que nós perdemos por aí: Sabem honrar os ancestrais, entre eles ao Pai Céu e Mãe Terra. Vivem conscientes da inter-relação entre os minerais, vegetais, animais e humanos. Sabem sorrir, mesmo sendo massacrados como estão sendo. E sabem que o futuro depende da união das raças...é uma profecia, portanto, respeitam e seguem dispostos a perdoar e nos ensinar.


Sugiro que você não perca uma apresentação do Coral Guarani. Vá, sempre, de coração aberto, deixe sua alma ser tocada.

Estas músicas são orações, são conexões com o Grande Espírito, com a Mãe Terra, com as forças da Natureza. E são responsáveis por acordar e reconectar muitos corações de juruás (o não indígena). Aguyjeveté!

(imagem: http://jbfoco.com.br/2019/11/videos-a-difusao-da-historia-e-cultura-indigenas-em-biguacu-uma-vitoria-do-profo-caio-de-capua/ )


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