Trabalhando cada ambiente, com cores, formas,

decorações, direcionamentos de mobiliários,

entre outros, potencializamos as tendências

positivas e minimizamos as negativas.

 

“Feng Shui é parte do conhecimento chinês denominado shenmiwenhua. Esse conhecimento trata de coisas misteriosas, secretas e impossíveis de se ver. Seu território de ação situa-se na fronteira entre dois mundos: o da terra – denominado Ken Kai –, visível e físico; e o do céu –YuKai –, desconhecido, invisível e vibracional.” (Roger Green)

 

A base filosófica do Feng Shui está na cultura da China e tem íntima relação com a medicina daquele país, a acupuntura, o tai chi, o I Ching, etc. O Feng Shui é uma arte que integra céu, terra e homem, pois estuda a relação entre os três. Dessa forma, nos ajuda na escolha de ambientes mais saudáveis e no desenvolvimento de uma vida mais harmoniosa. Feng (vento) e Shui (água) são elementos essenciais na escolha de lugares onde a vida possa prosperar. O vento é uma energia invisível, que não pode ser contida, e a água, a energia visível, que pode ser conduzida.

 

Origem do Feng Shui

Segundo Roger Green, há cerca de 2 mil anos a expressão KanYu foi utilizada para designar o que, atualmente, conhecemos como Feng Shui.Yu era o nome dado à visão mais yin*, ligada à terra, ao relevo, ao solo, às formas e cores. Era focada em buscar as melhores localizações e lidava com o mundo visível. Tal prática já era bem antiga e ficou conhecida como Escola da Forma.Kan era o nome dado ao estudo mais yang*, ligada ao céu, à cosmologia, ao clima, às vibrações e direções. Tratava do mundo invisível e ficou conhecida como Escola da Bússola.

No início, a preocupação em encontrar o lugar ideal para o desenvolvimento da vida era o foco.Também havia a escolha dos locais para enterrar os antepassados, garantindo a harmonia na passagem deles e na continuidade de suas gerações. É importante salientar que a origem dessa arte surgiu em uma sociedade que dependia da observação da natureza para poder viver bem. Com o tempo, as técnicas foram sendo aprimoradas e novas sabedorias sendo integradas.

Em determinado momento, observou-se que as pessoas com problemas de saúde que eram tratadas nos hospitais voltavam às suas casas e adoeciam novamente. Percebeu-se, então, que as residências estavam doentes.  Então, houve uma ampliação na utilização da técnica. Esta foi sendo aplicada, também, nas áreas internas. Surgia,assim, o Feng Shui atual.

O Feng Shui se desenvolveu inserido no Taoísmo – uma escola filosófica ligada à observação da natureza e na busca de um caminho para a realização humana. O Confucionismo e o Budismo também fazem parte de sua formação. Atualmente,a prática vem se adaptando aos novos ensinamentos e à vida da sociedade moderna.

 

O Feng Shui na atualidade

Através de conhecimentos adquiridos com o tempo, hoje podemos mapear um espaço, fazendo sua divisão em nove áreas: o centro, que representa o Tao (a Unidade), eos oito trigramas do I Ching, cada um deles simbolizando uma força da natureza (a água, a montanha, o trovão, o vento, o fogo, a terra, o lago e o céu.). Cada área do local possui uma tendência vibracional, que vai depender da época de construção da edificação, de sua orientação em relação ao norte magnético do planeta, da sua forma, de sua comunicação com a área externa (suas principais aberturas), etc. E essa tendência vai ser enfatizada conforme o momento cíclico em que nos encontramos, dependendo do potencial das pessoas que habitam e frequentam o lugar, em função da forma com que essas se relacionam com o lugar e com sua natureza.

Por esses motivos, cálculos pessoais, ligados à astrologia chinesa, também devem ser desenvolvidos pelos profissionais para que as informações mais importantes sobre essas conexões possam ser entendidas e, então, harmonizadas. Trabalhando cada ambiente, com cores, formas, decorações, direcionamentos de mobiliários, entre outros, potencializamos as tendências positivas e minimizamos as negativas. Cada caso pede maior enfoque de uma ou outra Escola (Forma ou Bússola), e o Feng Shui pode ser aplicado em muitas situações de vida, mas a harmonia buscada continua sendo entendida como a boa relação entre o céu, a terra e o homem.

Em 2007, através da compilação de algumas vivências com o Feng Shui (Taoísmo), a Kabbalah e as tradições indígenas do Brasil, surgiu o sistema Ambá Ÿu, cujo objetivo é contribuir com a harmonização no dia a dia, através da vivência saudável entre pessoas e ambientes. O sistema funciona como um mapa, facilitando a conversa entre os indivíduo e os espaços. O diagnóstico é feito por meio do mapeamento de Feng Shui Tradicional, mas utilizando uma linguagem diferente.

O sistema Ambá Ÿu considera o espaço como a união de oito partes mais o centro, cada uma delas simbolizada por uma parte da Árvore Sagrada. A escolha de olhar para o espaço através das partes da Árvore surgiu da necessidade de lidarmos com símbolos mais simples e contextualizados na nossa realidade, utilizados no lugar dos trigramas do I Ching. No próximo post, falaremos mais sobre o sistema Ambá Ÿu.

Tanto o Feng Shui quanto o Ambá Ÿu percebem que a compreensão da relação entre as tendências locais e pessoais é um passo importante no desenvolvimento de uma vida feliz e saudável, porque tomamos consciência de que somos seres formados por céu (Espírito) e terra (matéria) e somos responsáveis pela condução da nossa vida. Os espaços são palcos onde nossa história acontece, portanto, trabalhando os ambientes, estamos nos trabalhando e vice-versa.

*Yin e yang são polaridades na qual o universo pulsa.

 

© Todos os direitos da foto Feng Shui, que ilustra este post, são reservados a Loveandtears.